ALGUNS MITOS E VERDADES NA ODONTOLOGIA

ALGUNS MITOS E VERDADES NA ODONTOLOGIA

1. RESTAURAÇÃO PRATEADA (AMÁLGAMA) É TÓXICO?

O amálgama dental ou amálgama de prata é utilizado desde o final do século XIX como material restaurador, por sua resistência, durabilidade, por ser compatível com o dente e pela facilidade para o dentista executar a restauração. A liga para amálgama de prata é composta principalmente de mercúrio e prata, contém um pouco de estanho, podendo conter cobre e zinco. O amálgama de prata é uma mistura e não um composto químico. A mistura destes componentes formam uma liga que endurece rapidamente, formando as restaurações de amálgama, conhecidas como restaurações metálicas. A toxicidade do amálgama é muito polêmica e vem sendo discutida há vários anos, graças a um dos componentes da liga, que é o mercúrio, considerado tóxico. Foi dito que esta toxicidade poderia causar várias doenças aos pacientes e aos profissionais e contaminar o meio ambiente. Seu uso foi praticamente extinto em vários países; porém, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), seria preciso que o indivíduo tivesse mais de 400 restaurações de amálgama na boca para que, ainda assim, sua contaminação fosse mínima. De acordo com a FDI (Federação Dentária Internacional), alimentos como peixes marinhos e mariscos são fontes ricas de mercúrio, sendo que a quantidade que o organismo absorve dos amálgamas é insignificante quando comparado com a que se ingere das fontes alimentícias regulares. Infelizmente o que se vê entre profissionais de má índole, é que estes, usam essa história de contaminação para ganharem o procedimento de troca da restauração. Entre vários estudos sobre o assunto, a conclusão é de que a quantidade de mercúrio liberada nas restaurações de amálgama não é motivo de preocupação quanto à toxicidade. O amálgama de prata é inquestionável quanto à sua durabilidade, selamento marginal e facilidade técnica.

2. CUIDAR DO DENTE DE LEITE É NECESSÁRIO? ELE NÃO VAI CAIR?

A calcificação dos dentes de leite começa por volta do quarto mês de gestação; perto do fim do sexto mês todos os dentes de leite já começaram o seu desenvolvimento. Nos primeiros anos aparece a dentição decídua ou de leite e mais tarde a dentição permanente. Os incisivos centrais inferiores são os primeiros dentes de leite a aparecer na boca por volta dos 6 meses. Quando completa, a dentição decídua é composta por 20 dentes (10 superiores e 10 inferiores). Muitos pensam que, como é uma dentição que será substituída, qualquer dano ou perda prematura, não é importante. Isto é uma visão errada e tem prejudicado o desenvolvimento dental das crianças. Os dentes de leite auxiliam o desenvolvimento dos ossos da face, mantêm o espaço nas arcadas e orientam o nascimento dos dentes permanentes. A perda prematura dos dentes decíduos, ou de leite, é considerada hoje em dia como um dos fatores de origem e desenvolvimento de uma mastigação anormal dos dentes permanentes. Possivelmente pela falta de informação, o leigo tende a pensar nos dentes decíduos como sendo temporários e desnecessários. Simplesmente não é este o caso. Todos os dentes decíduos devem estar presentes, realizando as funções de mastigação, auxiliando na fala e mantendo a estética pois a perda precoce dos dentes de leite causam além dos problemas anatômicos, sérios transtornos sociais às crianças que passam a conviver em idade escolar sem os dentes, apresentando distúrbios de comportamento, por vergonha de sua aparência.

3. DENTES X GRAVIDEZ

A ansiedade da mãe, devido o nascimento do filho, pode levar a um descuido da sua saúde oral. Se a higiene não for adequada, em qualquer momento da vida (grávida ou não), ela vai desenvolver um quadro de doença gengival (gengivite/periodontite). No entanto, nesse período, devido às alterações hormonais, a mulher sofre uma resposta mais intensa às doenças gengivais. Ou seja, o problema não está na gravidez em si, mas sim na higiene bucal. Outro pensamento errado é que, durante a gravidez a mãe perde cálcio dos dentes deixando-os fracos. É fundamental a ingestão de alimentos ricos em vitaminas e minerais durante a gravidez, suprindo assim as necessidades nutricionais da mãe e do feto, mas não existe nenhuma capitação de cálcio dos dentes. Assim fica novamente associado o enfraquecimento e aparecimento de cáries com o acúmulo de placa bacteriana (falta de uma correta higiene). É indispensável o acompanhamento com o dentista durante a gestação. Esse profissional irá realizar os procedimentos necessários para garantir uma saúde bucal adequada durante todo o período gestacional, além de orientar sobre os cuidados da saúde bucal do bebê, desde o seu nascimento. Todos os procedimentos odontológicos essenciais podem ser realizados durante a gestação, inclusive extrações, tratamento de canal, restaurações e reabilitações protéticas. No entanto, procedimentos mais demorados, desde que não sejam emergenciais, devem ser evitados devido o desconforto para a gestante. Outra dúvida desse período é sobre o uso do Raio-X. Ele pode sim ser utilizado mesmo durante a gravidez. Cabe ao cirurgião dentista avaliar sua real necessidade, e se for realmente indispensável, a gestante deve ser devidamente protegida com avental de chumbo e o cirurgião dentista deve evitar erros técnicos, não causando assim nenhum problema ao feto.

4. PEGAMOS DOENÇAS PELA BOCA? CÁRIE É CONTAGIOSO?

A maioria dos adolescentes não leva a informação a sério, mas a cárie é sim uma doença contagiosa, e o contato íntimo do beijo na boca, pode trazer além dela, inúmeras doenças. Nem todas as bactérias encontradas na boca são responsáveis pela cárie. Ela é causada pela bactéria chamada Streptococcus Mutans que, simplificadamente, fermenta o açúcar dos alimentos e seus resíduos ácidos dissolvem o mineral do dente, causando a cárie. Certamente, alguns cuidados básicos de higiene podem evitar complicações de saúde, que incluem Gengivite, Herpes, Cárie, Hepatite B, Candidíase, Mononucleose (conhecida como a “doença do beijo”), entre outras doenças, visto que a boca é um local com grande número de microrganismos. Um estudo publicado em 2006 no “British Medical Journal” revela que beijar na boca várias pessoas aumenta em quatro vezes o risco de adolescentes contraírem meningite. Os bebês também correm grande risco de contaminação. Hábitos maternos, como provar a papinha do bebê com a mesma colher com que servirá a refeição é um dos erros mais comuns e pode pôr em risco a saúde do bebê. Uma simples colher de chá contaminada por uma pessoa infectada pelas bactérias da cárie pode abrigar milhares de micróbios. Dar selinhos na boca do neném, então, nem pensar. Pesquisas mostram que se conseguirmos manter uma criança sem contato com as bactérias da cárie até ela completar nove anos, as chances de nunca ter uma cárie na vida são de 90%.

5. É VERDADE QUE TOMAR MUITO ANTIBIÓTICO NA INFÂNCIA ENFRAQUECE OS DENTES?

Não. Existe um tipo de antibiótico, a Tetraciclina (quase não utilizada atualmente), que pode causar manchas na estrutura dentária. Mas isso só acontece se esse medicamento for tomado em grande quantidade e enquanto o dente ainda está se formando. Depois de terminada a formação dentária, qualquer quantidade de tetraciclina não causa problemas. No entanto, nenhum antibiótico causa enfraquecimento e destruição dental, que são problemas causados exclusivamente pela falta de higiene. Atualmente o uso de antibióticos tem se tornado frequente, e muitos profissionais receitam este medicamento de maneira indiscriminada, sem qualquer indicação. Mesmo na odontologia, estes medicamentos são utilizados de maneira abusiva e inapropriada. Os profissionais despreparados, com a intenção de adiar o atendimento imediato, receitam o antibiótico na expectativa de que possam tirar a dor do paciente. O melhor critério para se decidir sobre o emprego de antibióticos, como complemento da terapia clínica, está relacionado à presença ou não de sinais de disseminação e manifestações sistêmicas da infecção. Portanto, atualmente é aceito que antibióticoterapia, em odontologia, é uma conduta importante, mas apenas quando o paciente apresentar sinais como edema pronunciado (celulite/inchaço), trismo mandibular (dificuldade de abertura de boca), linfadenite (comprometimento dos gânglios linfáticos), febre, taquicardia (aumento dos batimentos cardíacos), falta de apetite, disfagia (dificuldade de engolir) ou mal estar geral, indicativos de que as defesas imunológicas do hospedeiro não estão conseguindo por si só controlar a infecção. Na prática odontológica, isto significa dizer que na presença de um processo infeccioso localizado, delimitado, sem sinais locais de disseminação ou manifestações sistêmicas, não é necessário o uso coadjuvante de antibióticos. Isto é válido para as infecções agudas como os abscessos periapicais (infecção do canal), abscessos periodontais (infecção dos tecidos de suporte do dente), e mesmo nos casos de pericoronarite (infecção associada ao nascimento dos dentes, em especial do terceiro molar – dente do siso) em fase inicial.

6. DOR DE CABEÇA E ESTALIDOS NO OUVIDO PODEM TER RELAÇÃO COM OS DENTES?

Sim. A dor de cabeça é a queixa mais comum das dores humanas. Acomete em média 60% da população mundial. Estatisticamente falando, a dor de cabeça mais comum é a muscular, isto é, vem dos músculos que estão na cabeça e não da cabeça propriamente dita. A musculatura mastigatória foi desenvolvida para trabalhar durante a mastigação que ocorre em média 60 a 90 minutos dia. Qualquer atividade exercida sobre essa musculatura além desse período, pode significar sobrecarga. Hábitos como apertamento dental, morder objetos como caneta ou lápis, apoio de mão sobre a musculatura da face, postura de trabalho, bruxismo (ranger dos dentes), estresse, posição irregular de alguns dentes, restaurações em excesso e outros hábitos considerados não funcionais, produzem respostas proporcionais e anormais dos músculos, que respondem com dor. Dor de cabeça, é uma queixa séria e não deve passar definitivamente sem diagnóstico, ainda mais se for uma queixa frequente. A articulação da boca, chamada de ATM (articulação temporomandibular), tem entre as faces articulares uma estrutura chamada de disco articular, cuja função principal está em amortecer as sobrecargas sobre as articulações durante as funções orais. Quando os dentes não estão bem encaixados a relação óssea das articulações se modifica, podendo o disco articular se deslocar da posição fisiológica, evidenciado pelo estalido nos ouvidos durante movimentos mandibulares (falar, mastigar, cantar, bocejar etc.). Longe de ser considerado um sinal normal, sua ocorrência exige uma investigação minuciosa e precisa no diagnóstico, que efetuado prematuramente propicia melhor condição terapêutica. A ausência de dor não se traduz em normalidade, bem como, não garante que não poderá aparecer um dia, em grande intensidade com repercussões importantes para todo o sistema.